Metodologia
Como calculamos o valor de um relógio no Brasil
Atualizada em 25 de setembro de 2026. Todas as premissas abaixo podem ser ajustadas no site, em "Quanto custa trazer" → "Premissas do cálculo".
1. De onde vêm os dados
Os preços vêm de anúncios públicos do Chrono24, o maior mercado de relógios de luxo do mundo, lidos em reais (chrono24.com.br). A coleta é feita pela extensão Coletor Valor do Relógio, no navegador de quem pesquisa, e cada pesquisa fica num banco compartilhado para todos os usuários.
- Filtro exato de referência: sempre que possível, usamos o filtro de número de referência do próprio Chrono24. Assim uma busca por "16520" não traz o 116520, que é outro relógio.
- Cor do mostrador: quando pesquisada, usa o filtro de cor declarado pelo vendedor. Referências como o Datejust mudam bastante de preço conforme o mostrador.
- Data: cada coleta guarda o dia em que foi feita. Pesquisas repetidas formam a evolução da mediana.
- Dados do banco com mais de 7 dias: ao pesquisar, o site avisa em destaque a data da coleta e oferece "Atualizar dados para hoje", que faz uma coleta nova no Chrono24. Com até 7 dias, a data aparece de forma discreta. Preços de relógios mudam, e uma coleta antiga pode não refletir o mercado de hoje.
São preços pedidos, não de vendas fechadas. Em geral, negócios fecham um pouco abaixo do anunciado; por isso a análise para quem vende já parte de um valor abaixo do preço de referência (seção 9).
2. Como os anúncios são tratados
- Anúncios que citam outra referência são excluídos (ex.: um anúncio de 6007G-011 na coleta do 6007G-010).
- Preços atípicos: por padrão, excluímos valores fora de 3 vezes o intervalo entre quartis (explicado na seção 4), desde que haja pelo menos 8 anúncios. Isso remove erros de digitação e preços simbólicos sem mexer na oferta real.
- "Preço sob consulta" não entra nas contas, porque não tem valor.
- Estado e ano (novo, sem uso, usado) são lidos do título do anúncio, em vários idiomas. Quando o título não diz, o anúncio fica como "não informado".
3. Por que a mediana, e não a média
A mediana é o preço do meio: metade dos anúncios está abaixo dela e metade acima. A média soma todos os preços e divide pelo número de anúncios.
Em anúncios de relógios, a média engana, por três motivos:
- Poucos preços muito altos puxam a média para cima. Uma peça com diamantes de fábrica, uma edição especial ou um vendedor que pede o dobro distorcem a média, mas quase não mexem na mediana.
- A oferta é assimétrica. Há um piso natural (ninguém vende muito abaixo do mercado), mas quase não há teto (qualquer um pode pedir quanto quiser). Distribuições assim têm "cauda longa" para cima, e a mediana representa melhor o preço típico.
- Erros acontecem. Um preço digitado com um zero a mais muda a média em milhares de reais. A mediana praticamente não se move.
Exemplo: cinco anúncios de R$ 100 mil, R$ 102 mil, R$ 105 mil, R$ 108 mil e R$ 300 mil. A média é R$ 143 mil, um preço que nenhum comprador pagaria. A mediana é R$ 105 mil, o preço de fato praticado.
4. Por que os quartis
A mediana diz o centro; os quartis dizem o quanto os preços se espalham. O 1º quartil deixa 25% dos anúncios abaixo dele; o 3º quartil, 75%. Entre os dois estão os 50% centrais, a faixa em que a maior parte do mercado negocia. É a faixa sombreada nos cartões e no gráfico de distribuição.
- Faixa estreita: o mercado concorda sobre o preço, e fica fácil saber se uma oferta é boa.
- Faixa larga: o preço depende muito do estado, do ano, da caixa e dos documentos; vale olhar os anúncios um a um.
No gráfico de distribuição, cada ponto é um anúncio, e anúncios de preço parecido se empilham: a altura das pilhas mostra onde a oferta se concentra. A faixa sombreada é a dos 50% centrais, a linha preta é a mediana, e os pontos dourados são de vendedores no Brasil.
A distância entre o 1º e o 3º quartil (o "intervalo interquartil") também serve para achar preços atípicos: o que está a mais de 3 vezes essa distância abaixo do 1º quartil ou acima do 3º é considerado fora da curva. É a regra clássica de Tukey para valores extremos, a mesma usada em gráficos de caixa (box plots).
5. Força da amostra: quando confiar mais ou menos no preço
Um preço calculado com três anúncios não tem o mesmo peso que um calculado com mil. Com poucos anúncios, dois ou três preços fora da curva, pedidos muito altos, peças com defeito, versões diferentes, mudam a mediana, e não há como separar o que é mercado do que é exceção. Com muitos, as exceções se diluem.
Por isso cada referência recebe um selo de força da amostra, que combina dois critérios:
- Quantidade de anúncios com preço.
- Dispersão: a largura da faixa dos 50% centrais dividida pela mediana. Faixa estreita quer dizer que o mercado concorda sobre o preço.
| Selo | Critério | Como usar o preço |
|---|---|---|
| Forte | 30 ou mais anúncios e faixa central de até 25% da mediana | bem sustentado |
| Moderada | os demais casos | boa indicação; confira os anúncios |
| Fraca | menos de 10 anúncios, ou faixa central acima de 50% da mediana | ponto de partida, não valor fechado |
Dois avisos extras: com menos de 8 anúncios, o filtro de preços atípicos não atua (não há dados suficientes para definir o que é "fora da curva"); e quando o preço de referência vem de apenas um ou dois vendedores no Brasil, o selo nunca passa de "moderada".
Quanto mais pessoas pesquisam uma referência, mais anúncios e datas o banco acumula, e mais forte a análise fica.
6. O preço de referência no Brasil
O preço principal de cada cartão responde a uma pergunta prática: quanto custa, hoje, ter esse relógio no Brasil pelo caminho mais barato e legal? Ele é o menor entre dois valores:
- Comprar de um vendedor no Brasil: mediana dos anúncios de vendedores brasileiros + 7% de risco.
- Pagar alguém para trazer de fora: mediana dos anúncios de fora + R$ 10 mil de passagem e estadia + 6% de riscos diversos + remuneração de quem vai buscar: R$ 5 mil fixos + 6% do valor do relógio, para trazer o relógio até a sua casa.
Se não houver anúncios de vendedores no Brasil, vale o segundo. O lado "de fora" considera que a pessoa quer o relógio entregue no Brasil sem ir buscar: por isso inclui a remuneração de quem vai buscar. Usamos o menor porque um comprador racional escolhe a alternativa mais barata; qualquer preço acima dela tende a não ser pago.
Exemplo: vendedores no Brasil pedem, na mediana, R$ 125 mil; com 7% de risco, R$ 133,8 mil. Lá fora, a mediana é R$ 103 mil; somando R$ 10 mil de passagem, 6% de riscos (R$ 6,2 mil) e a remuneração de quem vai buscar (R$ 5 mil + 6%, ou seja, R$ 11,2 mil), R$ 130,4 mil. O preço de referência é R$ 130,4 mil.
7. Riscos e custos: 7%, passagem, quem vai buscar e 6% de riscos
7% de risco na compra no Brasil
Comprar de alguém que você não conhece tem um custo invisível: origem do relógio (procedência, eventual roubo), autenticidade e peças trocadas, estado real diferente do anunciado e a dificuldade de reaver o dinheiro se algo der errado. Os 7% representam o desconto que um comprador cuidadoso exige para correr esses riscos, ou o que ele gastaria para reduzi-los (verificação por relojoeiro, intermediação, garantia).
R$ 10 mil de passagem e estadia
Uma viagem internacional curta, de ida e volta, com hospedagem, para buscar o relógio em mãos.
Remuneração de quem vai buscar: R$ 5 mil + 6% do relógio
Quem não pode ou não quer viajar paga alguém de confiança para buscar o relógio e trazê-lo no pulso até o Brasil. A remuneração tem duas partes:
- R$ 5 mil fixos pelo tempo: são de 3 a 5 dias de tempo útil entre deslocamento, encontro com o vendedor, conferência da peça e volta.
- 6% do valor do relógio pela responsabilidade: transportar uma peça de valor e assumir o risco dela; quanto mais caro o relógio, maior a responsabilidade.
Se você mesmo for buscar, não paga a parte variável, mas os R$ 5 mil continuam valendo como o valor do seu próprio tempo.
6% de riscos diversos
- Acidentes no trajeto, com danos ao relógio.
- Roubo ou perda até chegar ao Brasil.
- Alfândega: a Receita Federal pode entender que o relógio não é usado, ou não é de uso pessoal, e cobrar os impostos de importação. A cobrança pode ser discutida administrativa ou judicialmente, com custo e tempo.
Os 6% incidem sobre o valor do relógio: quanto mais caro, maior a exposição.
8. Impostos e regimes de importação
A seção "Quanto custa trazer" compara os caminhos possíveis, lado a lado, com o câmbio do dia (PTAX de venda do Banco Central). Os caminhos de importação partem da mediana dos anúncios de fora, a mesma usada no preço de referência; a compra no Brasil parte da mediana dos vendedores daqui.
- Comprar de vendedor no Brasil: sem imposto de importação.
- Receber por remessa (até US$ 3.000): 60% de imposto de importação sobre relógio + frete e ICMS de 20% calculado "por dentro" (o ICMS incide sobre o próprio valor com o imposto).
- Importação formal (acima de US$ 3.000): para relógio de pulso automático (NCM provável 9102.21.00), imposto de importação de 18%, IPI de 16,25%, PIS de 2,1%, Cofins de 9,65%, ICMS de 18% "por dentro" e 3% de despachante e taxas. A importação formal de bens de consumo usados costuma ser restrita: consulte um despachante.
- Buscar em viagem, declarando: cota de US$ 1.000 por pessoa (via aérea) e 50% sobre o que passar dela, mais viagem, tempo e riscos.
- Trazer como usado, no pulso: a Receita trata como bem de uso pessoal, sem imposto, um relógio comprado e usado na viagem, se for o único relógio do viajante. Por isso ele carrega os 6% de riscos.
- Pagar alguém para trazer: o mesmo caminho, feito por outra pessoa, remunerada com R$ 5 mil + 6% do relógio. É o valor usado no preço de referência.
O ranking por país usa o caminho "receber em casa" (remessa ou importação formal, conforme o valor) e só classifica países com pelo menos 5 anúncios, porque com menos que isso a mediana não é confiável.
9. Para vender e melhores oportunidades
- Aceitar a partir de: preço de referência sem os 7% de risco. Quem compra de você também não o conhece e desconta esse risco.
- Anunciar por: até 5% acima do valor de aceite, sem passar do preço de referência, para deixar margem de negociação.
- Venda a um revendedor: cerca de 85% do valor de aceite. O revendedor paga na hora e assume o risco e o custo de revender.
- Boa compra: abaixo de 95% do preço de referência.
- Melhores oportunidades: cada anúncio recebe um "custo para ter" com a mesma regra do preço de referência: preço + 7% se o vendedor está no Brasil, ou preço + passagem, 6% de riscos e a remuneração de quem vai buscar (R$ 5 mil + 6%) se está fora. As cinco menores aparecem no cartão de análise.
- Selo dos anúncios: compara cada preço com a mediana da referência. De 10% abaixo para baixo é "bem abaixo" e conta como oportunidade nos indicadores do topo.
- Liquidez: 300 anúncios ou mais indicam mercado com muita oferta; de 100 a 299, oferta boa; menos de 100, peça rara, em que vender depende de achar o comprador certo.
10. Preço do novo na loja
Quando a marca publica o preço sugerido no Brasil, ele aparece como "Novo na loja". Por enquanto, isso vale para as Rolex em linha, com preços lidos do site oficial da marca. Onde há variações de pulseira ou mostrador, mostramos a faixa e comparamos o mercado com a versão básica.
- Mercado acima da loja (ágio): há fila de espera. Comprar na boutique é o menor preço, se houver disponibilidade.
- Mercado abaixo da loja: o seminovo compensa, e quem vende um usado precisa ficar abaixo do preço do novo.
11. Limites do método
- São preços pedidos, não de vendas fechadas.
- Estado, ano, caixa e documentos são lidos do texto do anúncio e podem estar incompletos.
- Impostos são estimativas: alíquotas, classificação fiscal e regras mudam, e cada caso deve ser confirmado com um despachante.
- Os riscos (7% e 6%) e o valor do tempo são premissas nossas, explicadas acima, e podem ser ajustados por quem usa o site.
- O site não verifica autenticidade nem procedência de nenhum anúncio.
Sugestões e correções: 24setewatches@gmail.com.